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BENEFÍCIOS DA AMAMENTAÇÃO PROLONGADA

Amamentar é muito mais do que nutrir a criança. É um ato que envolve interação profunda entre mãe e filho com implicações enormes na saúde global. No fim de janeiro, um estudo divulgado pela revista médica The Lancet — uma das mais conceituadas do mundo — mostrou que o aleitamento materno por um período de 12 meses ou mais poderia salvar a vida de, pelo menos, 800 mil bebês e 20 mil mães todos os anos.

Esse estudo cruzou dados de 1.300 pesquisas sobre aleitamento materno em 153 países e concluiu que, nos países ricos, a amamentação reduz em mais de um terço a morte súbita do lactente. Em países pobres ou de renda média, cerca de metade das epidemias de diarreia e um terço das infecções respiratórias poderiam ser evitados se todas as mães amamentassem por um ano ou mais.

“A amamentação tem efeito imunológico, pois, por meio do leite, a mãe passa imunoglobulinas (anticorpos) e outros nutrientes que ajudam o bebê a se proteger de doenças”, explica a dra. Lucilia Santana Faria, coordenadora médica da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica do Hospital Sírio-Libanês.

Entre as imunoglobulinas transferidas para o bebê por meio da amamentação, destaca-se a IgA. Esse tipo de anticorpo recobre as mucosas do intestino e do pulmão da criança, protegendo-a da entrada de microrganismos causadores de diarreias e infecções respiratórias, como Escherichia coli, Salmonella, Shigella, estreptococo, pneumococo e rotavírus.

Até o sexto mês de vida apenas a amamentação é suficiente para suprir todas as demandas nutricionais do bebê. E, segundo recomenda a dra. Lucilia, assim deve ser porque o acréscimo de outros alimentos pode provocar um tipo de competição com a amamentação. “É preciso admitir que amamentar nem sempre é prático e, quando o bebê e a mãe se acostumam com a mamadeira e outros alimentos, a tendência é diminuir ou largar a amamentação”, comenta a médica. “Por isso, vale o esforço da mãe em alimentar a criança até o sexto mês apenas com a amamentação”, acrescenta.

A partir dos 6 meses de idade, todas as crianças devem receber, além do leite materno, sopas, frutas, papinhas, entre outros alimentos recomendados pelo médico. No entanto, devem continuar a receber o leite materno, pelo menos, até completarem 2 anos de idade.

Saúde para o bebê, saúde para a mãe

Segundo o estudo publicado pela The Lancet, além de proteger os bebês, a amamentação por um ano ou mais diminuiria o número de mortes nas mulheres que amamentam principalmente pela redução de casos de câncer. A amamentação altera uma série de características dos hormônios que contribuem para que as mulheres tenham menos riscos de desenvolver tumores na mama e no ovário.

Os benefícios para as mulheres, no entanto, vão além. De acordo com o Ministério da Saúde, a amamentação ajuda na recuperação do útero após o parto, diminuindo o risco de hemorragia e anemia. O aleitamento materno também pode contribuir para a redução do peso da mulher após a gestação e, consequentemente, para a redução de riscos para doenças cardiovasculares e diabetes.

Acredita-se ainda que o aleitamento materno traga benefícios psicológicos para a criança e para a mãe. Uma amamentação prazerosa fortalece os laços afetivos entre eles, criando mais troca de afeto, sentimentos de segurança e de proteção na criança e autoconfiança e realização na mulher.

O Hospital Sírio-Libanês apoia a amamentação até, pelo menos, 2 anos de idade, informa a dra. Lucilia. A instituição conta com um lactário para preparação, higienização e distribuição de alimentos para as crianças internadas. Esse serviço possibilita que os bebês recebam leite materno durante todo o período de internação. Nos casos de internação na UTI, o leite materno pode ser fornecido à criança através de uma sonda alimentar.

Veja abaixo alguns mitos e verdades sobre o aleitamento materno:

O colostro faz bem ao bebê.
VERDADE
— Esse tipo de leite de baixo volume secretado nos primeiros dias da amamentação não deve ser descartado, pois é composto de vários nutrientes. O colostro é capaz de alimentar a criança e vai transformando-se gradativamente em leite maduro nos dias seguintes ao parto.

Algumas mães produzem leite fraco.
MITO
— Cada mãe produz o leite adequado para as necessidades de seu bebê. A mãe pode até emagrecer e dar pouco leite, mas o material secretado terá sempre boa qualidade.

Alimentação da mãe influencia no aleitamento materno.
VERDADE
— Embora os alimentos consumidos pela mãe não passem para o leite, não é recomendado o consumo de bebidas alcoólicas, café e outras bebidas estimulantes, pois pode deixar a criança mais irritada. Massas, frituras, doces e outros alimentos muitos calóricos também não ajudam em nada e podem fazer a mãe engordar.

Cirurgia na mama pode atrapalhar o aleitamento materno.
VERDADE
— Dependendo de como for o procedimento, os dutos que fazem a ligação do leite materno ao bebê podem ser danificados, atrapalhando a amamentação. Consulte seu médico sobre os riscos de cada procedimento.

Alguns leites artificiais são iguais ao leite materno.
MITO
— As fórmulas dos leites industrializados contêm nutrientes que ajudam a alimentar bem o bebê, mas não contam com os anticorpos, células vivas, enzimas ou hormônios presentes apenas no leite materno, e que são importantes para a imunidade do bebê.

Fonte: www.hospitalsiriolibanes.org.br