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Crises de ansiedade, falta de atenção permanente e tristeza profunda são sintomas de depressão

A depressão ocorre em todas faixas etárias. Na infância e na adolescência, pode ter como fator desencadeante o bullying, por exemplo; e na juventude e fase adulta, os problemas afetivos, como perda de parentes e término de relacionamentos, e estresse profissional.

Principais tipos de depressão

Distimia: Geralmente não é incapacitante. A pessoa sofre de crises de pânico e ansiedade em momentos específicos do dia, como fim da tarde.

Transtorno depressivo maior: Geralmente é incapacitante. A pessoa não consegue trabalhar, estudar e, às vezes, nem sair de casa. Acorda com muito desânimo e pensamentos suicidas.

Depois dos 60 anos de idade, o risco de depressão apresenta forte componente biológico, pois o organismo tende a produzir mais a enzima monoaminoxidase — um neurotransmissor que em quantidades excessivas aumenta as chances do surgimento da doença. Alguns medicamentos, como as cortisonas, também podem desencadear depressão atípica.

Integrante do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês, o professor e psiquiatra Sergio Ricardo Hototian explica que existem diferentes tipos de depressão e que o diagnóstico nem sempre é fácil. A distimia e o transtorno depressivo maior são os dois subtipos mais comuns.

A distimia tem características crônicas e sintomas menos intensos. A pessoa pode sofrer de crises de ansiedade, sobretudo no fim da tarde, com angústia, falta de ar e medo da morte, mas consegue continuar a manter suas atividades diárias, como trabalhar e estudar. Com o tempo, no entanto, essas crises tornam-se insuportáveis podendo haver desejo de desistir de tudo, até mesmo da vida.

Já no transtorno depressivo maior, geralmente, a pessoa acorda com muito desânimo, sem vontade de sair da cama, e os pensamentos suicidas são mais frequentes. Ocorrem também apagões, desequilíbrios no sono e no apetite. Ou seja, dorme-se e come-se muito ou pouco. Esse tipo de depressão também ocorre nos casos de transtorno bipolar, geralmente levando o paciente ao psiquiatra através da crise depressiva.

“É normal ficarmos tristes diante de um luto, por exemplo, mas tudo tem seu tempo”, comenta o professor Hototian. “Quando a sensação de tristeza dura muito tempo e a pessoa se recusa até a fazer aquelas atividades que mais gostava, ficando sem esperança e excessivamente pessimista, é preciso procurar ajuda médica”, acrescenta.

Diagnóstico e tratamento

Os médicos psiquiatras são profissionais treinados para diagnosticar a depressão, especialmente quando há riscos de suicídio, mas todo médico pode fazer o diagnóstico e tratar essa doença. Segundo explica o professor Sergio Ricardo Hototian, esse tipo de avaliação nem sempre é fácil. Por isso, quanto mais experiente e qualificado for o profissional, maiores são as chances da percepção da gravidade desses casos e da melhor escolha terapêutica.

Previna-se da depressão!

– Os primeiros sinais de depressão podem ser confundidos com estresse. Nunca busque fugir desse problema com uso de bebidas alcoólicas. Procure um médico.

– A depressão é mais comum nas mulheres (prevalência duas a três vezes maior), mas também afeta muitos homens.

– Depressões mal tratadas ou não tratadas na faixa etária dos 50 anos de idade podem evoluir para algum tipo de demência após os 70 anos.

– Tenha uma vida equilibrada com trabalho, família e lazer. Pratique atividade física.

O tratamento da primeira crise de depressão é muito importante, pois quando feito corretamente diminui as chances de retorno da doença. O uso de medicamentos antidepressivos poderá ser receitado pelo médico por um período de, pelo menos, três anos.

“A subdose de um antidepressivo é um problema, pois pode fazer com que a doença se torne crônica”, explica o médico. “Diferentemente do que muitos dizem, os medicamentos contra a depressão não causam dependência quando usados corretamente”, completa.

De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, aproximadamente 80% dos indivíduos que receberam tratamento contra a depressão terão um segundo episódio depressivo, sendo que a média desses episódios ao longo da vida é de quatro vezes.

Fonte: www.hospitalsiriolibanes.org.br/sua-saude