Central de agendamento: (19) 3886.2444 | 3876.3435 | 3836.3839 | 3836.3894 | Facebook

DEU BRANCO ?

Pode ser amnésia global transitória, distúrbio de prognóstico positivo. Mas é preciso descartar problemas mais graves

De repente, a pessoa perde a referência do tempo e do espaço. Reconhece os outros, sabe quem é cada um, mas não tem ideia de onde, como ou por que está naquele lugar, que pode ser até a própria casa. Ou, ainda, não sabe o que fazer diante de uma situação corriqueira, como acionar o botão do elevador. Com a capacidade de cognição preservada, o indivíduo passa a fazer perguntas repetitivamente para tentar desvendar o “branco”. Porém, as respostas não vão ajudá-lo. Há falhas na memorização e, num instante, as informações recém-obtidas somem, e a pessoa continua perdida. Volta a fazer as mesmas perguntas e terá as mesmas respostas, repetindo o ciclo infrutífero.

Essa situação angustiante pode durar de uma a seis horas – nos casos mais prolongados, até um dia inteiro. Trata-se de um surto de amnésia global transitória, isto é, a perda temporária de memória associada a um mau funcionamento do hipocampo, estrutura localizada nos lobos temporais do cérebro que é considerada a sede da memória.

Segundo o Dr. Ivan Hideyo Okamoto, neurologista e coordenador do Núcleo de Excelência em Memória do Einstein, a medicina ainda desconhece quais são os mecanismos fisiopatológicos que desencadeiam essa pane mnemônica. Mas admite-se que ela possa estar vinculada a quadros de enxaqueca e traumas, por exemplo. A boa notícia, de acordo com o médico, é que, passado o surto, a memória volta à normalidade, exceto pelo fato de que tudo aquilo que foi vivido no intervalo da amnésia global transitória jamais será lembrado, como se tivesse sido perdido em uma espécie de falha lacunar da memória.

Esse tipo de amnésia é mais comum em pessoas de meia-idade, envolve geralmente um episódio único na vida e não está associada ao desenvolvimento de nenhuma outra doença. Para a pessoa que desenvolve esse quadro, os riscos estão relacionados com a imprevisibilidade do que pode ocorrer durante os eventos. “A pessoa esquece como desempenhar determinada função à qual está habituada, como dirigir um carro. Ou pode ficar perdida e/ou desorientada até mesmo em lugares familiares, o que a torna mais vulnerável a riscos e acidentes”, afirma o Dr. Okamoto. Além disso, como a situação é sempre estressante, a pessoa pode se sentir apavorada.

Caracterizada pela curta duração, a amnésia global transitória não tem tratamento específico. Às vezes, a pessoa nem chega a procurar o médico e o “branco” é rapidamente superado e o episódio é interpretado como um simples “piripaque”. Mas, de acordo com o Dr. Okamoto, pode ser recomendável buscar um pronto-socorro para que o neurologista confirme o diagnóstico. A importância de tal procedimento é afastar a possibilidade de males mais graves que podem apresentar sintomas e sinais parecidos, como a primeira manifestação de um tumor, um acidente vascular cerebral ou epilepsia.

O diagnóstico é clínico, feito a partir da observação do comportamento e das capacidades do paciente, e pode ser confirmado por meio de exames como a ressonância magnética, que permite detectar alterações no hipocampo associadas à amnésia global transitória até 24 horas depois do evento. Em caso de suspeita de problemas mais graves, outros exames poderão ser solicitados.

Fonte: http://www.einstein.br/einstein-saude