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DISTONIA CAUSA ESPASMOS, MAS É DIFERENTE DO TIQUE NERVOSO

A distonia é uma doença neurológica ainda pouco conhecida, mas que acomete cerca de 65 mil brasileiros, segundo dados do Ministério da Saúde. Seu portador, na verdade, precisa aprender a conviver com movimentos involuntários — resultados de uma contração muscular muito forte — que causam dor, deformação do membro atingido e incapacidade funcional. O problema pode afetar qualquer área do corpo, como mãos, pernas e até olhos e cordas vocais.

Segundo a dra. Elizabeth Quagliato, neurologista e docente da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), em 2/3 dos casos de distonia não é possível identificar nenhum fator desencadeante ou causa. Ainda assim, na chamada distonia primária, uma condição na qual a distonia é o único sintoma, a questão hereditária tem grande relevância e os sinais da doença costumam aparecer ainda na infância. Os demais casos são chamados de distonia secundária, e podem ser ocasionados por a um AVC, transtornos metabólicos ou até uso de drogas. “Por suas características, a distonia muitas vezes é confundida com tiques nervosos. A diferença é que os tiques são parcialmente controlados pela vontade do indivíduo, enquanto os movimentos provocados pela distonia não.”

Sem contar que o portador da distonia é obrigado a conviver com o problema durante todo período em que está acordado. Em algumas situações específicas que podem envolver algum grau de estresse, as contrações podem se acentuar. “Por exemplo, alguns indivíduos que têm uma distonia caracterizada pelo fechamento involuntário dos olhos, denominada blefaroespasmo, acabam sofrendo um pouco mais quando expostos a muita claridade”, explica a neurologista.

A distonia costuma acometer somente uma região do corpo. Em casos mais raros e que se iniciam na infância, a doença pode progridir até o indivíduo ficar completamente imobilizado. Um caso conhecido de distonia é o do maestro João Carlos Martins, cujas  mãos costumavam ficar completamente travadas e impossibilitadas de realizar qualquer movimento.

Até o início dos anos 1990, os recursos terapêuticos para tratar a doença eram escassos. De lá para cá, nos quadros generalizados a distonia pode ser tratada com medicamentos chamados anticolinérgicos. Nas formas focais, ou seja, quando a doença atinge apenas uma região, faz-se aplicação de toxina botulínica tipo A (a mesma usada em procedimentos estéticos) diretamente no músculo acometido para inibir a contração involuntária. Além disso, a substância ajuda a diminuir a dor e devolve a possibilidade de recuperar movimentos antes limitados.

“O paciente faz a aplicação a cada quatro meses e um mapeamento para saber quais músculos receberão o medicamento. O procedimento é bem rápido e dura aproximadamente três minutos. Depois a pessoa consegue ter uma vida normal, porque os músculos ficam relaxados e passam a não contrair mais de maneira involuntária”, diz a dra. Quagliato.

Fonte: http://drauziovarella.com.br