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HERPES GENITAL NA GRAVIDEZ

A infecção neonatal pelo vírus herpes (HSV) tem consequências graves. Consideramos neonatal, a infecção que ocorre nos primeiros 28 dias de vida.

Sem tratamento, ela está associada a cerca de 60% de mortalidade. Mesmo quando antivirais como o aciclovir, em altas doses, são iniciados precocemente, os bebês sobreviventes evoluem com sequelas.

Embora o feto possa adquirir o vírus na vida intrauterina, a maioria das transmissões ocorre no canal do parto. De 50% a 80% dos casos neonatais, acontecem em mulheres que adquiriram o vírus nas proximidades do parto. O risco naquelas com infecção crônica reativada no fim da gestação é mais baixo.

Na maior parte dos casos de herpes genital feminino, o vírus fica aninhado junto ao colo uterino, não há sinais externos nem sintomas. Apesar da presença do HSV nessa localização, menos de 1% das crianças nascidas de parto vaginal desenvolve a doença.

A infecção congênita (intrauterina) é rara. Quando acontece, há risco de microcefalia, hidrocefalia e coriorretinite.

A apresentação clínica neonatal é dividida em três grupos:

  • 1) Infecções confinadas à pele, aos olhos e às mucosas

Correspondem a 45% dos casos. Surgem vesículas nesses locais, sem envolvimento de órgãos internos ou do sistema nervoso central.

Sem tratamento, a infeção se dissemina. Tratada com aciclovir em doses altas, a criança costuma evoluir bem, sem sequelas. O vírus não é eliminado do organismo, no entanto, e podem ocorrer recidivas durante a infância.

  • 2) Infecções com envolvimento do sistema nervoso central

Estão associadas à letargia, convulsões e anorexia, na presença ou não de lesões cutâneo-mucosas. Correspondem a 30% dos casos.

Eventualmente, as crianças evoluem com retardo do desenvolvimento, epilepsia, cegueira e déficit cognitivo. Quanto mais cedo administrado o tratamento, menores as complicações. Infelizmente, mais de 50% dessas crianças apresentam complicações neurológicas ao completar o primeiro aniversário.

  • 3) Infecções disseminadas

Correspondem a 25% dos casos. O vírus atinge pulmões, fígado, cérebro e outros órgãos, num quadro clínico semelhante ao das septicemias bacterianas. O risco de morte atinge 30%, mesmo com o tratamento antiviral.

O desenvolvimento de uma vacina contra o HSV seria a estratégia mais eficaz de prevenção, mas até o momento ela não existe.

Abstinência sexual nas fases finais da gestação é medida preventiva importante, mas difícil de ser aplicada no grande contingente de mulheres assintomáticas que adquiriram o HSV antes de engravidar.

O exame de sangue para identificar as grávidas HSV negativas, que precisam ser orientadas para a abstinência, são muito úteis especialmente no terceiro trimestre.

O preservativo reduz pela metade as transmissões de homem para mulher e de mulher para homem.

A conduta atual é recomendar parto cesariano nos casos de haver evidência de recidiva na região genital. Como o aciclovir não é teratogênico, os obstetras prescrevem a droga logo no primeiro episódio de infecção pelo HSV da mulher grávida.

 Fonte: https://drauziovarella.com.br