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INIMIGA OCULTA

 

A endometriose, doença que é bem mais comum do que se imagina: hoje afeta de 10% a 15% das mulheres em idade reprodutiva. Além de provocar dores intensas,o problema está associado à dificuldade de engravidar. Segundo a Sociedade Brasileira de Endometriose, a doença é responsável por 40% dos casos de infertilidade no Brasil.

A histerectomia (a retirada do útero) não é comum atualmente no caso de mulheres com acesso à medicina de ponta e também não é recomendada pelos especialistas para pacientes com menos de 40 anos e sem filhos, principalmente se o problema é a endometriose. “Para se chegar a essa medida radical,deve-se computar o tempo, a intensidade da dor e a falta de tratamento adequado”, analisa Carlos Alberto Petta, ginecologista, presidente da Associação Brasileira de Endometriose e coordenador do núcleo de reprodução humana do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo.

O endométrio é o tecido que reveste internamente o útero, uma espécie de colchão para receber o óvulo fertilizado. Se não houve fecundação, ele descarna e é eliminado na menstruação. Parte das células do endométrio, porém, pode ser levada para o interior do abdôme, o que não é um problema para a maioria de nós – 90% das mulheres passam por isso, chamada de menstruação retrógrada. “As células de defesa dão conta de eliminar as invasoras. Mas, se existe alguma alteração na resposta imunológica, as células do endométrio se infiltram e crescem na parede externa dos órgãos da pelve, como trompas, ovários, intestino e bexiga, levando à formação de focos de endometriose, com inflamação, lesões e nódulos”, explica Patrick Bellelis, ginecologista do setor de endometriose do departamento de obstetrícia e ginecologia do Hospital das Clínicas de São Paulo.

“A dor pélvica, tipo cólica, é o sintoma mais frequente. Geralmente ela ocorre no período menstrual e vai aumentando gradativamente com a evolução da doença”, diz Fernando Guastella, ginecologista especializado no assunto. Como diferenciar essa dor? A cólica comum cede aos analgésicos, enquanto a provocada pela endometriose não responde à maioria dos medicamentos e dificulta as atividades do dia a dia. “É a doença da mulher moderna,que sofre altas doses de estresse, come mal, é sedentária e adia a gravidez. Esses são os gatilhos principais para aquelas que nasceram com predisposição genética para desenvolver o problema”, esclarece Carlos Alberto Petta.

O diagnóstico precoce faz toda a diferença. Estudos apontam que quanto maior o tempo para detectar o problema, mais radicais precisam ser as intervenções. E, nessa área, as notícias são boas. “Exames de imagem como o ultrassom endovaginal e a ressonância magnética evoluíram muito”, diz Fernando Guastella, perito neste tipo de análise. “Mais do que nos equipamentos, a evolução se deu nos médicos que os operam”, concorda Carlos Alberto Petta – segundo ele, o Brasil é referência mundial na área.

Com o diagnóstico em mãos, médico e paciente vão definir o caminho a ser trilhado. Não há um tratamento padrão para uma doença complexa como essa: depende do estágio em que ela se encontra, da intensidade da dor (que nem todas sentem) e da idade da paciente. Geralmente, são empregados analgésicos e até terapias alternativas como a acupuntura para aliviar a dor e anticoncepcionais ou medicamentos à base de hormônios – eles servem para diminuir a taxa do estrogênio (que alimenta as células do endométrio) e aumentar a da progesterona, que tem ação oposta. “De 30% a 40% das pacientes respondem bem ao tratamento clínico”, afirma Patrick Bellelis, que acrescenta: “Em casos mais avançados, quando a doença está espalhada a ponto de prejudicar a função do ovário, do intestino e da bexiga, a cirurgia é indicada. O método utilizado é a laparoscopia, que retira as lesões, preservando os órgãos”.

“O acompanhamento adequado ajuda a controlar a dor, aumenta a qualidade de vida da mulher e permite que ela engravide, se desejar”, finaliza Carlos Alberto Petta.

“É a doença da mulher moderna, que sofre altas doses de ESTRESSE, come mal, é sedentária e adia a gravidez”, diz o ginecologista Carlos Alberto Petta

Fonte: Vogue São Paulo
www.hospitalsiriolibanes.org.br