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OS VILÕES DO NERVO CIÁTICO

Excesso de peso, falta de exercício físico e hábito de permanecer muitas horas sentado de forma incorreta prejudicam o alinhamento adequado da coluna vertebral e podem causar dores na região lombar, podendo irradiar para a região glútea, posterior da coxa, e chegando aos membros inferiores. “A coluna se estabiliza com ajuda da musculatura paravertebral e abdominal. Quando há fraqueza nessa musculatura, a estabilidade fica prejudicada, podendo sobrecarregar os discos entre as vértebras. A obesidade e o sedentarismo podem piorar o quadro”, afirma o Dr. Mário Ferretti Filho, ortopedista e gerente médico do Programa de Ortopedia e Traumatologia do Einstein.

“O ciático é o maior nervo do corpo humano, é a junção de todas as raízes nervosas do plexo lombar. A dor ciática pode ser causada pela inflamação desse nervo ou por compressão de alguma raiz nervosa do plexo lombar, que pode ser causada por diversas condições”, explica Dr. Marcelo Wajchenberg, ortopedista do Einstein.

Essa dor pode começar como um formigamento leve e aumentar de intensidade progressivamente ou aparecer de forma abrupta, como agulhadas. Tende a piorar ao tentar esticar os membros inferiores. Essa sensação pode aparecer em ambas as pernas, embora seja mais frequente o acometimento de apenas um dos lados. “Na base da coluna vertebral, os nervos se dividem para a esquerda e direita, alcançando os membros inferiores. A compressão neural geralmente é unilateral, causando dor no trajeto da raiz nervosa comprimida”, esclarece Dr. Marcelo.

Os especialistas ressaltam ainda que a dor no ciático por si só não é uma doença, mas o sintoma de outros problemas, sendo o mais frequente deles a hérnia de disco. Nesse caso, a dor pode ter início súbito e levar à limitação funcional, ou seja, reduzir a capacidade de movimentação da pessoa, principalmente na hora de andar. “Determinadas doenças da bacia e alterações anatômicas na origem das raízes nervosas também podem causar processos inflamatórios do nervo e consequentes dores”, afirma Dr. Marcelo.

 

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é feito principalmente por meio do relato do paciente e pelo exame físico adequado. Dessa forma é possível delimitar o trajeto da dor e perceber qual nervo está sendo machucado. “Identificar corretamente a causa é muito importante na definição do tratamento, que deve ser específico e personalizado”, afirmam os ortopedistas.

Uma das manobras utilizadas no exame físico para avaliação da dor ciática é a manobra de Lasègue: a pessoa é colocada deitada e uma das pernas é elevada, mantendo-a estendida, para avaliar a repercussão da dor. Além disso, é importante realizar exame neurológico de sensibilidade e motricidade a fim de avaliar a extensão do acometimento neural. O médico pode pedir também uma ressonância magnética, que tem sensibilidade e especificidade alta, revelando as possíveis compressões do nervo. Neste caso, além da coluna vertebral, também é possível verificar a bacia a fim de identificar possíveis alterações que levem à dor. ​

O tratamento mais comum é conservador e varia de acordo com a causa, os sintomas apresentados e a intensidade da dor. O repouso relativo é geralmente indicado. “A pessoa pode se movimentar, ir trabalhar, mas deve evitar carregar peso, fazer muito esforço ou ficar muito tempo sentado”, indica Dr. Mario. Dependendo do caso, o médico pode receitar analgésicos e anti-inflamatórios, além de sessões de fisioterapia. Orientar o paciente com relação à postura também é parte essencial do tratamento e ajudará na prevenção de novas crises. A acupuntura pode ser uma aliada no alívio das dores, conforme já comprovado em pesquisas científicas.

Segundo os especialistas, com o procedimento adequado, a dor tende a melhorar em 15 dias. “É importante procurar atendimento médico e nunca se automedicar. Muitas pessoas evitam este atendimento por acreditar que a dor vai passar, vai melhorar. Mas ninguém deve esperar a dor piorar. Assim que tiver um sintoma, procure o atendimento apropriado”, ressalta o Dr. Marcelo.

Se não tratada corretamente, essa condição pode evoluir, tornar-se incapacitante, e levar a distúrbios neurológicos como perda da sensibilidade e da função motora. Caso o tratamento clínico não seja suficiente e haja compressão importante dos nervos, com comprometimento neurológico, é possível optar pela cirurgia. No entanto, os médicos ressaltam que essa medida é indicada para apenas 10% dos casos, já que a grande maioria responde bem ao tratamento convencional.

Prevenir a dor ciática é possível com medidas simples, como praticar exercícios físicos regularmente – a Organização Mundial de Saúde indica 30 minutos diários de atividades –, controlar do peso, alongar-se e fortalecer a musculatura da região lombar e da região posterior da coxa. Além disso, corrigir a postura e evitar ficar muito tempo sentado na mesma posição pode contribuir positivamente para a saúde da coluna vertebral, evitando dores.

Fonte: https://www.einstein.br