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PARKINSON: NOVIDADES SOBRE A DOENÇA E INFORMAÇÕES GERAIS

Parkinson é uma doença exclusivamente de idosos? Qual a relação com o envelhecimento? Há alguma diferença da doença que acomete jovens e adultos?
A doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum na população mundial, atrás apenas da doença de Alzheimer. Estima-se que cerca de cinco milhões de pessoas em todo do mundo possuem a doença. Ela afeta cerca de 0,3% da população geral e 1% a 2% da população acima dos 60 anos.
No Brasil encontrou-se uma prevalência de 3,3% em pessoas acima de 65 anos. A idade é um fator de risco inequívoco para a doença. Porém, formas precoces, que iniciam antes dos 40 anos de idade, são vistas na prática clínica. Geralmente a forma precoce é mais associada à herança genética, mas o quadro clínico em si é o mesmo da forma tardia.
Os tremores são o principal e mais conhecido sintoma. Quais são os outros?
Três sinais cardinais são característicos da doença de Parkinson:
1. O tremor de repouso, que é assimétrico iniciando geralmente em uma das mãos e podendo progredir para o outro lado do corpo com o tempo;
2. A bradicinesia (lentidão dos movimentos), observada no caminhar do paciente, nos movimentos com as mãos para pegar um objeto, abotoar a camisa, vestir-se, por exemplo. Há uma redução da velocidade na execução dos movimentos no dia a dia;
3. A rigidez muscular, que é percebida principalmente no movimento das articulações.
Além dos sinais cardinais da doença de Parkinson, várias outras alterações motoras podem se desenvolver nos pacientes. A escrita, geralmente, é micrográfica (letra pequena) e a alteração postural, com flexão do tronco para frente, é característica. A voz fica mais baixa e monótona. A marcha caracteriza-se por pequenos passos e lenta. Com o avanço da doença, os doentes podem apresentar desequilíbrios e dificuldade para deglutir.
Quando desconfiar que os tremores têm ligação com o Parkinson?
O tremor da doença de Parkinson é característico. Ele é chamado de tremor de repouso, ou seja, é mais evidente ou exclusivo quando a mão do paciente está parada, seja em repouso quando o paciente está sentado, seja quando ele está em pé com os braços relaxados.
Quando o paciente executa algum movimento a tendência do tremor é diminuir ou desaparecer. Além disso, caracteristicamente o tremor é assimétrico, ou seja, é mais evidente em apenas um lado do corpo (geralmente as mãos), e com o passar dos anos pode afetar o outro lado.
Vale lembrar que nem todos os pacientes com doença de Parkinson apresentam tremor. Em 30% dos pacientes ele está ausente, sendo a lentidão dos movimentos e a rigidez os sintomas mais evidentes.
Há “tipos” de tremores?
O tremor da doença de Parkinson conforme discutido é um tremor de repouso. Outras formas de tremor, chamados tremores de ação são vistos em outras doenças, em especial o Tremor Essencial.
O Tremor Essencial é um tremor na sua maior parte familiar e ocorre principalmente quando pegamos algum objeto, como uma colher, um copo d’água, quando escrevemos. Ao contrário do tremor da doença de Parkinson, ele tende a diminuir ou desaparecer com o braço em repouso.
Qual o ritmo de “evolução” da doença? É possível retardá-la?
A evolução no geral é lenta. Como a doença é progressiva, deve-se constantemente ajustar as medicações, de forma a tentar manter o paciente bem e com qualidade de vida.
Alguns estudos recentes mostraram que algumas medicações, entre elas a levodopa e os inibidores da MAO (Rasagilina), poderiam reduzir a evolução da doença, agindo como neuroprotetores, mas ainda não há uma evidência que seja consenso. Portanto, de uma forma geral, os tratamentos disponíveis hoje são para aliviar os sintomas e não retardar a evolução da doença.
Como é feito o diagnóstico? Clínico, exames laboratoriais, de imagem …?
O diagnóstico da doença de Parkinson é, essencialmente, fundamentado em dados clínicos. Os exames complementares têm como maior finalidade descartar condições que possam confundir o quadro neurológico.
A presença de um quadro clínico típico, associada a uma boa resposta à levodopa (medicamento mais usado no tratamento da doença) confirmam o diagnóstico. Em alguns casos em o que o quadro clínico gera dúvida, podemos nos valer de um exame chamado TRODAT, que avalia a deficiência de dopamina no cérebro.
A doença pode ser prevenida? Como diminuir o risco?
Não existe uma maneira inequívoca de prevenir a doença de Parkinson e o principal fator de risco é a idade. Mas no geral, sabemos que os hábitos de vida saudáveis, além de melhorar a função cardiovascular e reduzir o risco de infarto e de acidente vascular cerebral, também podem diminuir a incidência de doenças degenerativas, como o Alzheimer e o Parkinson.
Controle da pressão arterial, diabetes, colesterol, sedentarismo são fundamentais, além de uma dieta adequada. Dou especial atenção a realização de atividade física. Estudos apontam uma tendência em uma menor incidência de Parkinson em pessoas que realizam atividade física regular aeróbica ao longo da vida, como caminhada e bicicleta. A redução da neuroinflamação pela atividade física, em teoria, poderia reduzir o risco de desenvolver a doença.
Quais são os fatores mais relevantes para o Parkinson? Genéticos, ambientais …?
Cerca de 90% doença de Parkinson é chamada esporádica, ou seja, não há fator genético envolvido. Os pacientes desenvolvem a doença, geralmente após os 55 anos de idade, e não necessariamente têm algum familiar acometido. Poucos fatores ambientais são conhecidos, entre eles destacam-se a exposição a pesticidas e ao trauma craniano, embora a grande maioria dos pacientes que desenvolvem a doença não foi exposta aos fatores citados.
Por outro lado, 10% dos doentes apresentam a forma genética. Diversos genes foram descritos até o momento. Geralmente a forma genética tem inicio mais precoce, podendo mesmo começar antes dos 40 anos de idade.
Recentemente foi divulgada uma técnica de reprogramação celular com o vírus. Pode explica-la?
O uso da reprogramação celular para geração e estudo de neurônios humanos tenta oferecer um modelo para a identificação em alta escala de novos tratamentos com ação nos mecanismos causais das doenças e não apenas em seus sintomas.
Semelhante ao que é feito atualmente para determinar qual o melhor antibiótico para tratar uma infecção, quando são testados diferentes compostos em culturas de bactéria, culturas de neurônios poderão ser utilizadas para determinar qual medicação será mais eficaz para tratar a doença de Parkinson em um paciente específico. Vale lembrar que são apenas estudos preliminares e devemos aguardar com cautela novas evidências.
Quais são as principais novidades em relação ao tratamento da doença? É possível pensarmos na cura?
Novos medicamentos vêm sendo estudados com o objetivo de aliviar os sintomas e, eventualmente, retardar a evolução da doença. Além dos medicamentos é crescente no Brasil o uso da estimulação cerebral profunda, um tratamento cirúrgico seguro e eficaz para um grupo selecio¬nado de pacientes com a doença de Parkinson.
Em geral, ela é indicada quando, apesar do uso de medicações em doses adequadas, o paciente ainda mantém muitos sintomas, com comprometimento da sua qualidade de vida.
A técnica consiste na colocação de dois pequenos eletrodos na região cerebral afetada, de forma que a conexão de um determinado grupo de neurônios possa ser reestabelecida e os sintomas aliviados. Os pulsos elétricos são fornecidos através de um aparelho semelhante a um marcapasso cardíaco que fornece a estimulação elétrica  em regiões precisamente localizadas no cérebro.
A cura ainda não é uma realidade e avanços científicos visam entender cada vez mais os mecanismos da doença para que possamos freá-la de alguma maneira.
Fonte: https://www.einstein.br