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QUAL A RELAÇÃO ENTRE DIABETES E DOENÇAS DO CORAÇÃO?

O paciente com diabetes está mais propenso a sofrer infarto e derrame cerebral? Quem tem diabetes tem algum sintoma diferente ao sofrer um infarto? As mulheres costumam ser as principais vítimas? Durante o último congresso da Socesp (Sociedade Brasileira de Cardiologia do Estado de São Paulo), realizado no fim de maio deste ano, fizemos uma entrevista rápida com o cardiologista canadense David Fitchett, do Hostpital St. Michael’s, de Toronto, que ministrou uma palestra sobre a relação entre diabetes e doenças cardíacas. A seguir, ele esclarece algumas questões importantes sobre a doença e como ela pode e deve ser evitada. Acompanhe:

1 – Por que o diabetes aumenta o risco de sofrer infarto e AVC?

O diabetes resulta em um número de fatores que aumentam o risco de infarto e AVC. A parede interna ou revestimento interno da artéria (endotélio) perde suas propriedades protetoras, permitindo que células anormais entrem no vaso. Essa disfunção endotelial é a anormalidade inicial na formação de ateroesclerose de qualquer etiologia.

O metabolismo do diabetes resulta em partículas de gordura que são quimicamente modificadas e tóxicas à parede da artéria. Essas partículas de gordura modificadas e tóxicas são absorvidas pelas células dentro da parede da artéria. Por fim, elas matam essas células, o que resulta em uma reserva de gordura: a placa aterosclerótica.

As plaquetas, células sanguíneas que iniciam a formação de coágulos no sangue, são mais aderentes em pacientes com diabetes, aumentando a probabilidade de obstrução do endotélio anormal. O endotélio anormal e a inflamação aumentada dentro da parede da artéria vão resultar em um estado que faz com que o revestimento da artéria tenha maior risco de romper, expondo o sangue à placa gordurosa dentro da parede. Isso é um estimulante poderoso para a formação de coágulos que obstruam a artéria, resultando em infarto (artérias coronárias obstruídas) ou derrame (artérias cerebrais obstruídas).

 

2 – Os sintomas de infarto são diferentes em quem tem diabetes? Ou costumam ser mais silenciosos?

Na verdade, cerca de 20% ou 30% dos pacientes com diabetes têm sintomas atípicos [durante o infarto]. Muitas vezes, eles apenas se queixam de falta de ar ou tontura. Por isso,  muitos não se dão conta de que estão tendo um ataque cardíaco. Na verdade, é fundamental que o paciente com diabetes faça acompanhamento cardiológico frequente.

 3- É verdade que as mulheres têm mais risco de sofrer um infarto do que os homens?

Não, isso não é real. Até os 60 anos os homens são muito mais propensos a ter um ataque cardíaco do que as mulheres, pois elas possuem um protetor natural hormonal, o estrógeno, que confere certa proteção às coronárias. Entretanto, após essa idade os riscos se equivalem e a prevenção vale para ambos os sexos.

4 – Falando em prevenção, por que é tão difícil para as pessoas mudar alguns hábitos de vida que são considerados de alto risco para doenças cardíacas, como sedentarismo e má alimentação, por exemplo? 

Porque são hábitos. Por exemplo, se você adotar determinado estilo de vida  por 30, 50 anos, e tudo estiver indo bem (mesmo que nem tudo vá muito bem do ponto de vista de uma vida saudável), dificilmente você vai mudar. É por isso que temos de começar desde cedo, com as crianças. Educação para a saúde é tão importante, mas nem sempre a discussão sobre a importância de se adotar um estilo de vida saudável faz parte da grade curricular das escolas. Até aulas de educação física foram tiradas de muitas escolas. Conscientizar desde cedo sobre a importância de ter hábitos saudáveis é fundamental. 

Fonte:http://drauziovarella.com.br