Central de agendamento: (19) 3886.2444 | 3876.3435 | 3836.3839 | 3836.3894 | Facebook

TABAGISMO NA ADOLESCÊNCIA E JUVENTUDE : O QUE FAZER ?

A indústria tabagista influenciou várias gerações. Quem tem 30 e poucos anos ainda se lembra de seus comerciais televisivos: esportes radicais, hits do momento, jovens descolados ou caubóis másculos. Também eram os fabricantes de cigarro os maiores patrocinadores de grandes festivais de rock e jazz. No cinema, fumar era símbolo de sensualidade ou de uma charmosa rebeldia.

Desde o início desta década, todo esse marketing do tabaco foi banido – hoje, é absurdo pensar na hipótese de se veicular uma propaganda que mostre uma bela garota com um cigarro entre os dedos. Mesmo assim, pesquisas mostram que, no Brasil, cerca de 90% dos fumantes adquirem o hábito antes dos 18 anos. Um dado preocupante que demonstra não ser só a mídia a responsável por esse comportamento.

“Na adolescência o indivíduo está buscando recriar sua identidade, que até então era de criança. Pertencer a um grupo é importante nesse processo, e o adolescente assume certos comportamentos para sentir-se integrado. O risco está no fato de que, para alguns grupos, o cigarro ainda aparece como um sinal de postura, de rebeldia e maturidade”, explica Thiago Pavin, psicólogo do serviço de Gestão de Saúde do Fleury. Ou seja: por mais que o jovem não encontre na propaganda o estímulo ao tabagismo, ele ainda pode sofrer “pressões sociais” para desenvolvê-lo. Esse estímulo pode estar dentro do grupo ao qual ele pertence e também pode estar em casa: pais e mães tabagistas tornam o ambiente mais permissivo.

Ter um diálogo aberto com os filhos ajuda, e muito, a prevenir esse problema. “Não há receita de bolo para essa questão. Tudo depende muito da dinâmica familiar. Por exemplo, não é raro o adolescente usar o cigarro como forma de fuga ou contestação de ambientes familiares repressores”, afirma o psicólogo. Em vez de abusar da autoridade, os pais podem explicar, sem tom professoral, os malefícios causados pelo tabaco. Estar sempre disposto a ouvir e responder às dúvidas do adolescente também cria uma atmosfera mais harmoniosa para abordar a questão.

A falta de diálogo também leva o jovem a esconder da família seus hábitos. “Eles não contam porque sabem que serão reprimidos por isso, ou porque têm medo de desapontar os pais”, diz Pavin. Se o problema já bateu à porta, portanto, não adianta recriminar. “Quando o cigarro é usado como contestação, por exemplo, a bronca dos pais só vai reforçar o comportamento, pois gerou o efeito esperado de chamar a atenção. Mais uma vez, a conversa honesta é o melhor caminho.”

Primeiro, é preciso entender os motivos que levaram o adolescente a fumar, explica o psicólogo. “Para entender esse comportamento é importante tirar o foco do cigarro e olhar o que está à volta. Se o cigarro é uma forma de inserção a um determinado grupo, a família precisa pensar em maneiras de ajudar o filho a aprender formas mais saudáveis para integrar-se, ou mesmo ajudá-lo a refletir se vale a pena fazer parte desse ou daquele grupo. E se os pais serviram de modelo por fumarem, está mais do que na hora de abandonar o hábito para dar um novo exemplo.”

Thiago Pavin reforça que os pais devem estar ao lado do adolescente neste momento, e não contra. “Assim como os adultos, o jovem só vai parar de fumar quando tiver vontade. O papel da família, portanto, é orientar, estar junto”, explica, ressaltando que parceria não é sinônimo de permissividade. “Mesmo que reprimir esteja fora de questão, é preciso estabelecer alguns limites. Os pais podem não deixar que o adolescente fume dentro de casa ou reduzir a mesada, a fim de dificultar o acesso ao cigarro. O adolescente tem que sentir que fumar implica em prejuízos sociais. Isso pode suscitar motivação para parar de fumar”.

Dialogar também não significa bater na mesma tecla o tempo todo. Que tal mudar o foco de vez em quando? Incentivar a prática de um esporte, por exemplo, pode ser bastante eficaz – afinal, atividade física e cigarro não combinam. É importante respeitar o espaço do jovem, mas fazer mais programas em família, inclusive para lugares escolhidos pelos próprios jovens, ajuda a quebrar a “barreira” que costuma se erguer entre pais e filhos nesta fase: tente se manter próximo, convide os amigos dele para ir em casa, acompanhe sua rotina. Isso ajuda a estreitar os laços e, por conseqüência, incentiva o tão almejado diálogo.
Fonte: Thiago Pavin, psicólogo do serviço de Gestão de Saúde do Fleury

 

http://www.fleury.com.br/saude-em-dia/artigos/Pages/tabagismo-na-adolescencia.aspx