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TESTOSTERONA

Repor ou não repor, essa é a questão.

Num dos números do The New England Journal of Medicine, foi apresentado o caso de um paciente interessado na reposição de testosterona.

Era um homem de 60 anos, saudável, mas com peso na faixa de obesidade (IMC = 31,5), que se queixava de falta de energia, disposição diminuída para a prática de esportes, redução do prazer sexual e da função erétil.

Os exames laboratoriais de rotina foram normais. Duas dosagens de testosterona medidas em dias diferentes, antes das dez horas – conforme as recomendações atuais – mostraram valores de 275 e 285 ng/dL, respectivamente (valores normais: de 300 a 950 ng/dL)).

A revista ouviu dois especialistas. Os argumentos do que opinou a favor da indicação foram os seguintes:

1) A primeira medida seria recomendar redução do peso; a obesidade reduz os níveis de testosterona;

2) Dosar os níveis de hormônio luteinizante e de folículo estimulante, para definir se o hipogonadismo é primário ou causado por outros problemas hormonais;

3) Facilidade para acumular gordura, diminuição da libido, da densidade mineral óssea, da massa muscular e da vitalidade, aumento do risco de diabetes e de doenças cardiovasculares estão associados a níveis mais baixos de testosterona, mas não são específicos do hipogonadismo;

4) A reposição pode provocar aumentos do PSA que levam a biópsias desnecessárias;

5) Se mudanças no estilo de vida não conseguirem provocar perda de peso e melhora dos sintomas, estaria indicado o uso de adesivos de testosterona com o objetivo de elevar os níveis para valores acima de 500 ng/dL;

6) O tratamento exige acompanhamento laboratorial e reavaliação em seis meses. Se não houver resposta, deve ser interrompido.

A seguir, os argumentos do especialista que contraindicou a reposição:

1) O sintoma mais específico do hipogonadismo é a diminuição da libido. Fraqueza, redução da massa muscular e da vitalidade ocorrem, quando os níveis de testosterona caem abaixo de 150 a 200. Não é o caso desse paciente;

2) A função erétil costuma ficar preservada até que as concentrações caiam para valores muito baixos;

3) A obesidade é causa importante da diminuição dos níveis de testosterona;

4) Embora sejam inegáveis as vantagens da reposição no hipogonadismo, elas são diretamente relacionadas com o grau de deficiência. No caso apresentado, em que os níveis estão pouco diminuídos, levá-los à faixa da normalidade dificilmente trará benefícios;

5) Apesar de ainda existir alguma controvérsia, os dados parecem mostrar que a reposição não aumenta o risco de câncer de próstata;

6) Para esse paciente, a redução do peso corpóreo seria suficiente para elevar os níveis de testosterona, sem os custos do tratamento e dos exames laboratoriais de controle.

Essa discussão deixa claro que o tema é controverso e que perder peso e aumentar a atividade física podem ser suficientes para normalizar os níveis de testosterona na maioria dos casos. Fica claro, ainda, que a reposição por seis meses parece ser segura.

Fonte: https://drauziovarella.com.br